quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

FELIZ ANO NOVO



É TEMPO DE ABRAÇAR O NOVO
 (Eclesiastes 1, 1-10)
 Palavras de Coélet,  filho de David, rei de Jerusalém. Ó suprema fugacidade, ó suprema fugacidade! Tudo é fugaz! Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol? Geração vai,  geração vem, e a Terra permanece sempre a mesma. O Sol levanta-se, o Sol põe-se, voltando depressa para o lugar de onde novamente se levantará. O vento sopra para o Sul, depois gira para o Norte e, girando e girando vai dando as suas voltas. Todos os rios correm para o mar, e o mar nunca transborda; embora cheguem ao fim do seu percurso, os rios continuam sempre a correr. Toda a explicação fica a meio, pois o homem não consegue terminá-la. O olho não se farta de ver, nem o ouvido se farta de ouvir. O que aconteceu de novo acontecerá; e o que se fez, de novo será feito: debaixo do Sol não há nenhuma novidade. Às vezes, ouvimos dizer: “Vede, aqui está uma coisa nova! Mas ela já existiu em outros tempos, muito antes de nós.   

 Abrem-se as portas do Ano de 2012 e já começamos a criar expectativas do que acontecerá, de como viveremos, se seremos bem sucedidos nos nossos projetos, se alcançaremos os nossos sonhos, se … se… se… 
O autor do Livro do Eclesiastes descreve para nós o cenário de tudo que ocorre debaixo do sol, em todos os dias desde sempre e até os dias vindouros. Fazendo uma análise superficial nós corremos o risco de pensar que nada irá mudar, que o nosso destino já está traçado e acontecerá dentro da rotina e da mesmice.
No entanto, a Palavra de Deus é a nossa bússola e a Luz que ilumina o nosso porvir. Se mergulharmos na Sua mensagem com certeza iremos compreender, assimilar e acolher todos os acontecimentos, bons ou não, pelos quais atravessaremos numa perspectiva promissora.
Realmente, todas as coisas que foram criadas por Deus seguem um encaminhamento natural de acordo com o que Ele projetou e determinou. Ninguém pode contestar nem tampouco, explicar o porquê.  Ao nosso redor tudo continua como era antes!
Entretanto, o que poderá fazer a diferença é a nossa participação ativa e consciente na realização do Plano de Deus para a nossa vida e para a vida de toda a humanidade.
“Deus nos cumulou de saber e inteligência, criou em nós a ciência do espírito e encheu o nosso coração de sabedoria.” (Eclo 17, 5b.6)  Assim sendo, nunca poderemos encarar os fatos e acontecimentos da nossa vida como se fôssem coisas já previstas às quais não podemos mudar.
 A nossa vida é como  o percurso que  se faz todos os dias pelo mesmo caminho,  seguindo a orientação de um GPS. O roteiro é o mesmo, mas a paisagem muda de acordo com o nosso olhar e conforme o que observamos de novo.  Precisamos estar atentos à mudança e abraçar o Novo que Deus coloca à nossa frente como um desafio a ser superado.
 O Sol, o Vento, os Rios e o Mar estarão sempre ao nosso dispor e para nosso proveito. Os nossos olhos e ouvidos nunca cansarão de ver e ouvir ao que é belo e agradável ao nosso viver.
Por isso, é TEMPO DE ABRAÇAR O NOVO que Deus preparou para nós desde a criação do mundo.
É TEMPO DE ABRIR AS PORTAS, DE QUEBRAR AS RESISTÊNCIAS!
É TEMPO DE VOLTAR A SER FELIZ!
É TEMPO DE LOUVAR A DEUS POR TUDO O QUE ELE PREPAROU PARA VIVENCIARMOS NO ANO DE 2012 com
ALEGRIA, ÂNIMO E DISPOSIÇÃO!
 FELIZ ANO NOVO


Liturgia Diária 04/01


DIA 4 DE JANEIRO - QUARTA-FEIRA

TEMPO DO NATAL
(BRANCO, PREFÁCIO DO NATAL – OFÍCIO DO DIA)

Antífona da entrada: O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu (Is 9,2).
Oração do dia
Deus eterno e todo-poderoso, nós vos pedimos que o Salvador, qual nova luz dos céus para a redenção do mundo, se levante cada dia para renovar os nossos corações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (1 João 3,7-10)
Leitura da primeira carta de João.
1 7 Filhinhos, ninguém vos seduza: aquele que pratica a justiça é justo, como também (Jesus) é justo.
8 Aquele que peca é do demônio, porque o demônio peca desde o princípio. Eis por que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do demônio.
9 Todo o que é nascido de Deus não peca, porque o germe divino reside nele; e não pode pecar, porque nasceu de Deus.
10 É nisto que se conhece quais são os filhos de Deus e quais os do demônio: todo o que não pratica a justiça não é de Deus, como também aquele que não ama o seu irmão.
Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 97/98
Os confins do universo contemplaram
a salvação do nosso Deus.

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
porque ele fez prodígios!
Sua mão e o seu braço forte e santo
alcançaram-lhe a vitória.

Aplauda o mar com todo ser que nele vive,
o mundo inteiro e toda gente!
As montanhas e os rios batam palmas
e exultem de alegria.

Na presença do Senhor, pois ele vem,
vem julgar a terra inteira.
Julgará o universo com justiça
e as nações com equidade.
Evangelho (João 1,35-42)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Depois de ter falado, no passado, aos nossos pais, pelos profetas, muitas vezes, em nossos dias Deus falou-nos por seu Filho (Hb 1,1s).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
1 35 No dia seguinte, estava lá João outra vez com dois dos seus discípulos.
36 E, avistando Jesus que ia passando, disse: “Eis o Cordeiro de Deus”.
37 Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus.
38 Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: “Que procurais?” Disseram-lhe: “Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?”
39 “Vinde e vede”, respondeu-lhes ele. Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era cerca da hora décima.
40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e que o tinham seguido.
41 Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse-lhe: “Achamos o Messias” (que quer dizer o Cristo).
42 Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: “Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas” (que quer dizer pedra).
Palavra da Salvação.
Oração
Senhor Jesus, que a convivência contigo possa ajudar-me a conhecer-te mais e a compreender melhor a missão que reservaste para mim.

Sobre as oferendas
Concedei, ó Deus todo-poderoso, fonte da verdadeira piedade e da paz, que vos honremos dignamente com estes dons e, pela participação nestes mistérios, reforcemos os laços que nos unem. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: A vida que estava no Pai manifestou-se e apareceu aos nossos olhos (1Jo 1,2).
Depois da comunhão
Ó Deus, que o vosso povo, sustentado com tantas graças, possa receber hoje e sempre os dons do vosso amor para que, confortado pelos bens transitórios, busque mais confiantemente os bens eternos. Por Cristo, nosso Senhor.


Reflexão Pessoal – 1ª. leitura – 1 João 3, 7-10 – “ “Aquele que comete pecado é do diabo”
Esta é uma afirmação muito dura, no entanto precisamos saber e ter consciência de que somos pecadores, mas não necessariamente precisamos cometer pecados. Jesus veio nos libertar da escravidão ao pecado. Temos em nós a semente do pecado que age em nós e nos leva a cometer injustiças. Porém, mais forte em nós é a semente do amor de Deus, que pelo poder do Espírito Santo, nos conduz à santidade. O pecado é a injustiça, o afastamento de Deus e a rejeição à Sua Misericórdia. Jesus veio para destruir as obras do diabo e nos libertar das suas garras. Justo para Deus é, portanto, que não pequemos e para isso, Ele nos dá a graça. Precisamos estar atentos: o pecado é coisa do demônio e aqueles que nos desencaminham são seus instrumentos, todavia temos em nós a marca da imagem e  semelhança de Deus e disso nunca podemos esquecer.   - Pense nas pessoas que o (a) rodeiam: tem alguém que possa estar tirando você do caminho de Deus? O que você tem percebido?  - E por outro lado será que você pode estar sendo instrumento do mal para alguém? Faça uma oração pedindo a Jesus que o (a) liberte e o (a) ajude a mudar de atitude.


Salmo 97 – “os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus!”
O canto novo que sai dos nossos lábios é o nosso testemunho diante do mundo inteiro de que somos felizes e cheios de esperança, pois o Senhor faz prodígios na nossa vida. Esperamos a sua volta com esperança, pois sabemos que Ele virá julgar a terra, mas o fará com justiça e equidade. Aí, então nos juntaremos à toda criação para aplaudir o Senhor que chegará vitorioso. 

Evangelho – João 1,35-42  – “O verdadeiro Caminho”

Encontramos neste texto três mensagens importantes para nós :   
1 – João Batista  – Cumpria a sua missão de profeta apontando aos seus discípulos, Jesus Cristo, o verdadeiro Caminho para que eles O ouvissem, acreditassem e buscassem-no. Ele não procurou reter os seus discípulos, muito pelo contrário, mostrava-lhes que Jesus era o único que podia salvá-los. João aponta o Caminho da Verdade para os discípulos que desejavam ter uma experiência com Jesus e queriam saber onde Ele morava.  Nós também precisamos ter consciência do que buscamos, a quem buscamos e do que desejamos. 
2 – Os discípulos -  Não duvidaram, mas escutaram a mensagem e reconheceram a verdade. Saíram em busca de Jesus. Não ficaram presos a João Batista. Jesus os acolheu, porém primeiro perguntou-lhes o que eles procuravam. Não os prendeu, não os forçou apenas fez com que eles tivessem consciência do que desejavam os seus corações. “Que estais procurando? Somente depois foi que Jesus os chamou: “vinde ver.”     Eles foram por livre e espontânea vontade.  Nós não  podemos forçar ninguém a nos seguir e simplesmente  fazer o que nós queremos.
3-  No nome, a missão –  Assim como Jesus mudou o nome de Pedro para Cefas, também poderá mudar o nosso nome, nos redimensionar, nos reestruturar, transformar o nosso corpo, a nossa mentalidade e o nosso  espírito a fim de que estejamos ajustados (as)  ao Plano de Deus  na edificação do Reino dos céus.
Jesus sabe quem nós somos, sabe para o que nós viemos ao mundo e é o Espírito Santo quem nos revela tudo isso.  Só Ele conhece qual o propósito do Pai ao nos criar e tem poder para em qualquer momento da nossa vida fazer as mudanças e transformações de que nós precisamos.  - Qual das três mensagens é hoje importante para você seguir como exemplo?




Santo do Dia Santa Ângela de Foligno


Santa Ângela de Foligno

4 de Janeiro


Santa Ângela de FolignoNasceu na Itália, no ano de 1248, em Foligno, próximo a Roma, numa família muito abastada. Mas, infelizmente, não vivia a maior riqueza, que é o amor a Deus. Dentro deste ambiente indiferente a Deus e à Igreja, amenina foi crescendo. Ela foi para o sacramento do matrimônio, teve vários filhos, mas, infelizmente, tanto os filhos e depois o esposo faleceram. Imagine como estava o coração dessa mulher! Mas, deixando-se levar por uma vida distante de Deus, entregava-se às festas, às vaidades, cada vez mais longe de Deus e dela mesma, até que sentiu o toque da misericórdia do Senhor. Ela tocou o seu vazio existencial. Foi quando recorreu à Virgem Maria e buscou o sacramento da reconciliação.

Ela tinha 40 anos quando se abriu para esse processo maravilhoso que se chama conversão. Numa peregrinação a Assis, ela fez uma profunda experiência com o amor de Deus. Doou todos os seus bens aos pobres, entrou para a família franciscana na ordem terceira, viveu uma vida reclusa e saía para peregrinações em Assis.

Santa Ângela foi instrumento de conversão a partir do momento em que se abriu e levou muito a sério sua vida de conversão.

Santa Ângela de Foligno, rogai por nós!



terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Santo do Dia Santa Genoveva


Santa Genoveva

3 de Janeiro


Santa GenovevaSanta Genoveva nasceu em Nanterre, próximo de Paris, na França, no ano de 422, dentro de uma família muito simples. Desde cedo, ela foi discernindo o chamado de Deus a seu respeito. Quando tinha apenas 8 anos, um bispo chamdo Dom Jermano estava indo da França para a Inglaterra em missão. Passou por Nanterre para uma celebração e, ao dar a bênção para o povo, teve um discernimento no Espírito Santo e chamou aquela menina de oito anos para a vida consagrada. A resposta dela foi de que não pensava em outra coisa desde pequenina.

Santa Genoveva queria ser totalmente do Senhor. Não demorou muito tempo, ela fez um voto a Deus para viver a virgindade consagrada. Com o falecimento dos pais, dirigiu-se a Paris para morar na casa de uma madrinha. Ali, vida de oração, penitência de oferta a Deus para a salvação das almas. Então, ela foi ficando conhecida pelo seu ardor, pelo seu amor e pelo desejo de testemunhar Jesus Cristo a todos os corações. 

Incompreendida pelas pessoas, ela chegou ao ponto de de ser defendida pelo mesmo Bispo que a chamou para a vida de consagração. Em Paris, ela ficou gravemente enferma; na doença, na dificuldade, chegou a ficar 3 dias em coma. Mas, em tudo, entregava-se à vontade de Deus. E o seu coração ia se dilatando e acolhendo a realidade de tantos. Uma mulher de verdade. 

Por causa da invasão do Hunos em várias regiões, chegou, em Paris, uma história que estava amedrontando toda gente: os Hunos estava chegando para invadir e destruir a capital. Não era verdade e ela o soube. Então, fez questão de falar a verdade para o povo. Eles a perseguiram e quiseram queimá-la como feiticeira. Mas a sua fidelidade a Deus sempre foi a melhor resposta.

Numa outra ocasião, de fato, os Hunos estavam para invadir e destruir Paris. Santa Genoveva chamou o povo para a oração e penitência; e não aconteceu aquela invasão. A sua fama de santidade e sua humildade para comunicar Cristo Jesus iam cada vez mais longe. Santa Genoveva ia ao encontro de povos, e a influência que tinha era para socorrer os doentes, os famintos, uma mulher de caridade, uma santa. Quantas jovens puderam ser despertadas para uma vocação de vigindade consagrada a partir do testemunho de santa Genoveva! Ela faleceu com quase 90 anos. 

Santa Genoveva, rogai por nós!


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Santo do Dia São Basílio Magno


São Basílio Magno

2 de Janeiro



São Basílio MagnoHoje, recordamos três nomes e três amigos em Cristo Jesus. Reconhecidos como luminários da Capadócia, região da Turquia, são eles: Gregório, seu irmão de sangue, São Basílio Magno e o amigo São Gregório Nazianzeno. Dois irmãos de sangue, três grandes amigos em Cristo Jesus.

São Basílio Magno nasceu no ano 4 d.C, em Cesaréia, dentro de uma família santa que buscava testemunhar, na própria vida e na formação dos filhos, o grande amor por Cristo e pela Igreja. Foi assim que, ajudado pelo pai, São Basílio Magno recebeu a primeira formação. Depois, passou por Constantinopla, chegando a estudar em Atenas e formar-se em retórica. A essa altura, mesmo tendo um coração bem semeado pelo Evangelho, ele começou a buscar glórias humanas. É importante percebermos isso na história dos santos. Eles não nasceram santos e não foram obrigados a ser santos; aceitaram este desafio, mesmo que houvesse, em algum período, um desvio. Mas a misericórdia do Senhor sempre nos dará uma nova change. Foi o que aconteceu com São Basílico.

Ao conhecer o amigo São Gregório Nazianzeno, São Basílio conheceu Cristo mais profundamente e retomou a amizade com Jesus. Ele, que já era muito culto, direcionou todo o seu potencial para Aquele que é a verdade, o Logus, o Verbo que se fez carne, Jesus Cristo, nosso Senhor e salvador. Retirou-se por um tempo dali e pôde viver uma vida de muita oração e penitência. Depois, foi inspirado a se aprofundar na vida eremítica e também na vida monástica. Visitou o Egito, Síria, Palestina e estudou ao ponto de, com seu amigo Nazianzeno, começar uma comunidade monástica. 

Aconteceu que, diante da realidade na qual o Arianismo – heresia que afirmava que Jesus Cristo não é Deus – confundia muito as pessoas e ainda era apoida pelo imperador do Oriente chamado Valente. Enfim, que confusão doutrinal! Nesta altura, em Cesaréia, São Basílio, em 370 d.C. foi eleito bispo, sucessor de um dos apóstolos. Homem de caridade e de testemunho, ele pôde combater e ver a verdade vencendo o Arianismo. O imperador não colocava medo nesse homem cheio do Espírito Santo. São Basílio também tinha muitas obras, não era apenas um homem de palavras; cidades de caridade surgiram por meio dele. 

Ainda padre, ele já era um testemunho reconhecido, uma autoridade não só pela Igreja, mas pela vida. São Basílio Magno deixou uma riqueza de escritos e, principalmente, a certeza de que amigo de Jesus, felizes nós seremos. Em 379 d.C., ele partiu para o céu e intercede por nós.

São Basílio Magno, rogai por nós! 


sábado, 31 de dezembro de 2011

SANTO DO DIA São Silvestre


São Silvestre I

31 de Dezembro



São Silvestre IEste Papa dos inícios da nossa Igreja era um homem piedoso e santo, mas de personalidade pouco marcada. São Silvestre I apagou-se ao lado de um Imperador culto e ousado como Constantino, o qual, mais que servi-lo se terá antes servido dele, da sua simplicidade e humanidade, agindo por vezes como verdadeiro Bispo da Igreja, sobretudo no Oriente, onde recebe o nome de Isapóstolo, isto é, igual aos apóstolos.

E na realidade, nos assuntos externos da Igreja, o Imperador considerava-se acima dos próprios Bispos, o Bispo dos Bispos, com inevitáveis intromissões nos próprios assuntos internos, uma vez que, com a sua mentalidade ainda pagã, não estava capacitado para entender e aceitar um poder espiritual diferente e acima do civil ou político.

E talvez São Silvestre, na sua simplicidade, tivesse sido o Papa ideal para a circunstância. Outro Papa mais exigente, mais cioso da sua autoridade, teria irritado a megalomania de Constantino, perdendo a sua proteção. Ainda estava muito viva a lembrança dos horrores por que passara a Igreja no reinado de Diocleciano, e São Silvestre, testemunha dessa perseguição que ameaçou subverter por completo a Igreja, terá preferido agradecer este dom inesperado da proteção imperial e agir com moderação e prudência.

Constantino terá certamente exorbitado. Mas isso ter-se-á devido ao desejo de manter a paz no Império, ameaçada por dissenções ideológicas da Igreja, como na questão do donatismo que, apesar de já condenado no pontificado anterior, se vê de novo discutido, em 316, por iniciativa sua.

Dois anos depois, gerou-se nova agitação doutrinária mais perigosa, com origem na pregação de Ario, sacerdote alexandrino que negava a divindade da segunda Pessoa e, consequentemente, o mistério da Santíssima Trindade. Constantino, inteirado da agitação doutrinária, manda mais uma vez convocar os Bispos do Império para dirimirem a questão. Sabemos pelo Liber Pontificalis, por Eusébio e Santo Atanásio, que o Papa dá o seu acordo, e envia, como representantes seus, Ósio, Bispo de Córdova, acompanhado por dois presbíteros.

Ele, como dignidade suprema, não se imiscuiria nas disputas, reservando-se a aprovação do veredito final. Além disso, não convinha parecer demasiado submisso ao Imperador.

Foi o primeiro Concílio Ecumênico (universal) que reuniu em Niceia, no ano 325, mais de 300 Bispos, com o próprio Imperador a presidir em lugar de honra. Os Padres conciliares não tiveram dificuldade em fazer prevalecer a doutrina recebida dos Apóstolos sobre a divindade de Cristo, proposta energicamente pelo Bispo de Alexandria, Santo Atanásio. A heresia de Ario foi condenada sem hesitação e a ortodoxia trinitária ficou exarada no chamado Símbolo Niceno ou Credo, ratificado por S. Silvestre.

Constantino, satisfeito com a união estabelecida, parte no ano seguinte para as margens do Bósforo onde, em 330, inaugura Constantinopla, a que seria a nova capital do Império, eixo nevrálgico entre o Oriente e o Ocidente, até à sua queda em poder dos turcos otomanos, em 1453.

Data dessa altura a chamada doação constantiniana, mediante a qual o Imperador entrega à Igreja, na pessoa de S. Silvestre, a Domus Faustae, Casa de Fausta, sua esposa, ou palácio imperial de Latrão (residência papal até Leão XI), junto ao qual se ergueria uma grandiosa basílica de cinco naves, dedicada a Cristo Salvador e mais tarde a S. João Batista e S. João Evangelista (futura e atual catedral episcopal de Roma, S. João de Latrão). Mais tarde, doaria igualmente a própria cidade.

Depois de um longo pontificado, cheio de acontecimentos e transformações profundas na vida da Igreja, morre S. Silvestre I no último dia do ano 335, dia em que a Igreja venera a sua memória. Sepultado no cemitério de Priscila, os seus restos mortais seriam transladados por Paulo I (757-767) para a igreja erguida em sua memória.


São Silvestre, rogai por nós!