sexta-feira, 24 de agosto de 2012

“Uma vergonha”, diz Dom Erwin sobre a soltura do assassino da irmã Dorothy



“Uma vergonha”, diz Dom Erwin sobre a soltura do assassino da irmã Dorothy


O ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu o pedido de habeas corpus, determinando a expedição de alvará de soltura para Regivaldo Pereira Galvão, condenado pelo Tribunal do Júri de Belém (PA) a 30 anos de reclusão pelo homicídio que vitimou a missionária Dorothy Stang. “Recebo essa informação com espanto”, declarou o bispo da prelazia do Xingu (PA), dom Erwin Kräutler.
“Não posso admitir que seja esta a Justiça de nosso país. Que Deus tenha pena de todos nós”, afirma o bispo, que avalia que a decisão do STF desconsidera o que foi determinado pelo Tribunal de Júri do Pará. “Esta notícia envergonha a todos”.
Com a decisão do STF, o juiz de Altamira (PA) Raimundo Moisés Flexa, expediu o alvará de soltura. Regivaldo foi solto na tarde desta quarta-feira. Está marcado, para o próximo dia 3, o depoimento do policial federal Fernando Luiz Raiol, que recentemente protocolou documento em cartório, revelando fatos sobre o assassinato da missionária que poderão ensejar a reabertura do caso.
A informação é publicada pelo Boletim da CNBB, 22-08-2012.



quarta-feira, 22 de agosto de 2012



DIA 22 DE AGOSTO - QUARTA-FEIRA

NOSSA SENHORA RAINHA
(BRANCO, PREFÁCIO DE MARIA – OFÍCIO DA MEMÓRIA)

Antífona da entrada: A rainha está à vossa direita com suas vestes de ouro, ornada de esplendor (Sl 44,10).
Oração do dia
Ó Deus, que fizestes a mãe do vosso filho nossa mãe e rainha, dai-nos, por sua intercessão, alcançar o reino do céu e a glória prometida aos vossos filhos e filhas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Isaías 9,1-6)
Leitura do livro do profeta Isaías.
9 1 O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz.
2 Vós suscitais um grande regozijo, provocais uma imensa alegria; rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos.
3 Porque o jugo que pesava sobre ele, a coleira de seu ombro e a vara do feitor, vós os quebrastes, como no dia de Madiã.
4 Porque todo calçado que se traz na batalha, e todo manto manchado de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão presa das chamas;
5 porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz.
6 Seu império será grande e a paz sem fim sobre o trono de Davi e em seu reino. Ele o firmará e o manterá pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre. Eis o que fará o zelo do Senhor dos exércitos.
Palavra do Senhor.
Reflexão Pessoal – Isaías 9,1-6 – “ um menino nos foi dado”

Esta palavra é  um prenúncio da salvação prometida por Deus Pai para nós quando no começo dos tempos os nossos pais caíram nas malhas do pecado. E na plenitude dos tempos Maria veio nos trazer Jesus que surge como uma grande luz para iluminar as trevas da humanidade sob o jugo da iniquidade. Jesus é a LUZ que brilha forte e nos tira da escuridão do abismo, por isso, passou o que era velho e corrompido. Quando experimentamos a salvação de Jesus os apetrechos de guerra usados no tempo de infelicidade interior são devorados pelas chamas do Amor. Jesus assumiu a nosso culpa e tirou de sobre os nossos ombros o jugo do pecado que nos oprimia. Cada um de nós é convidado (a) a encarnar com alegria essa Palavra que nos garante a libertação,“porque nasceu para nós um menino, (Jesus) que traz a marca da realeza, e tem como nome: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da Paz”.  Estas são as denominações pelas quais, Jesus é exaltado, e que retratam Sua Majestade. A cada dia   podemos despertar para esta verdade mesmo que sejamos pecadores porque quem realiza tudo em nós é o amor zeloso do Senhor dos exércitos. Precisamos nos conscientizar de que  Jesus já veio, o menino já nos foi dado e a Salvação já nos foi concedida. – Você acredita que mesmo sendo pecador (a) pode assumir a verdade de que Jesus veio para libertá-lo (a) e dá a você uma vida nova, para sempre?  - O que pode significar para você estas expressões com que o profeta aclama a Jesus: “Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da Paz”? – Você hoje vive nas trevas ou sob a Luz de Jesus?
Salmo responsorial 112/113
Bendito seja o nome do Senhor,
agora e por toda a eternidade!

Louvai, louvai, ó servos do Senhor,
louvai, louvai o nome do Senhor!
Bendito seja o nome do Senhor,
agora e por toda a eternidade.

Do nascer do sol até o seu ocaso,
louvado seja o nome do Senhor!
O Senhor está acima das nações,
sua glória vai além dos altos céus.

Quem pode comparar-se ao nosso Deus,
ao Senhor, que no alto céu tem o seu trono
e se inclina para olhar o céu e a terra?

Levanta da poeira o indigente
e do lixo ele retira o pobrezinho,
para fazê-lo assentar-se com os nobres,
assentar-se com os nobres do seu povo.
Salmo 112 – “Bendito seja o nome do Senhor, agora e por toda a eternidade”
O salmista exalta a realeza do Senhor e proclama-O bendito, agora e por toda a eternidade. Agora, é o momento que temos para também louvarmos o Senhor pela Sua grandeza e poder, porque vemos as Suas obras desde o nascer ao por do sol. Um dia, esta vida passará e estaremos em outra realidade. Portanto, este é o momento propício, e, enquanto aqui vivemos, somos indigentes e pecadores, mas podemos testemunhar os Seus prodígios entre nós.
Evangelho (Lucas 1,26-38)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo; és bendita entre todas as mulheres da terra! (Lc 1,28)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
1 26 No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
27 a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.
28 Entrando, o anjo disse-lhe: "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo".
29 Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.
30 O anjo disse-lhe: "Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.
31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.
32 Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,
33 e o seu reino não terá fim".
34 Maria perguntou ao anjo: "Como se fará isso, pois não conheço homem?"
35 Respondeu-lhe o anjo: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.
36 Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,
37 porque a Deus nenhuma coisa é impossível".
38 Então disse Maria: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra". E o anjo afastou-se dela.
Palavra da Salvação.


Somos também como Maria escolhidos e eleitos para conceber Jesus no nosso coração e levá-Lo ao mundo. Portanto, também, a primeira recomendação que o anjo nos faz é que alegremo-nos, isto é, saiamos da desolação, da murmuração e da desesperança, porque o Senhor está conosco! Por isso, as palavras dirigidas a Maria pelo anjo Gabriel são hoje, para nós, um convite a que abramos o coração a fim de acolhermos o mistério da Encarnação de Jesus pelo poder do Espírito Santo. Assim como recomendou a Maria, o anjo também nos encoraja: “não tenhas medo, encontraste graça diante de Deus”. Isto significa que somos amados por Deus e que o poder do Seu amor nos cobre e realiza em nós a transformação interior que é o sinal da presença do Menino Jesus em nós. Contudo, isso só poderá acontecer a partir do nosso sim e da nossa adesão ao projeto do Senhor. Deus não nos invade e nada faz sem a nossa permissão. O Senhor nos propõe, chama e nos atrai, mas o nosso Sim é o que O faz realizar a obra.  O anjo do Senhor vive batendo à nossa porta com a expectativa do nosso sim que é também uma resposta positiva para fazer em nós maravilhas.  A atitude de Maria é um modelo a ser seguido por cada um de nós! Muito embora estivesse assustada pela manifestação de Deus através do anjo Gabriel (Teofania) ela soube parar para escutá-lo, soube meditar sobre as palavras dele, soube dialogar para entender melhor a vontade de Deus, soube confiar nas Suas promessas sem questionar e por fim assumiu humildemente a condição de ser Mãe do Salvador da humanidade, sabedora de que o poder vinha do alto e que a ela só competia mesmo dar uma resposta. Que possamos também como Maria, responder ao anjo do Senhor dizendo:“Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”.  -  Você também  tem sido chamado (a) por Deus para uma missão específica? – Qual é a sua resposta? – Você sabe parar para escutar, meditar, dialogar com Deus, assumindo as Suas promessas e confiando no chamado que Ele lhe faz? – Se você fosse Maria qual teria sido a sua atitude diante do anjo Gabriel?

Comentário ao Evangelho
CONCEBIDA SEM PECADOA festa da Imaculada Conceição leva-nos a pensar em Maria como a perfeita discípula que correspondeu plenamente aos anseios de Deus, movida pela graça. A fidelidade de Maria decorreu de um especial dom divino, o dom de nascer mais integrada do que nós, com mais capacidade de ser livre e de acolher a proposta divina.
O anjo Gabriel alude a este dom divino quando a saudou como “repleta de graça”. Toda envolvida pelo amor divino, Maria soube colocar-se, em total disponibilidade, nas mãos de Deus, para cumprir sua santa vontade: “Eis a serva do Senhor, faça-me em mim conforme a tua palavra”. Uma tal comunhão com Deus excluía qualquer traço de egoísmo e de pecado. Só a plenitude da graça permitiu-lhe ser totalmente despojada de si para cumprir o projeto de Deus. Daqui brota a fé de que Maria, mesmo antes de nascer, foi preservada do pecado.
A condição de agraciada por Deus não a eximiu do esforço de ser peregrina na fé, necessitada de crescer e de aprender, como acontece com todo ser humano. Sua originalidade consistiu em ter trilhado um caminho sempre positivo, sem fazer concessões às paixões desordenadas, ou ao próprio querer. A grandeza de seu testemunho de fé expressou-se na humildade com que o viveu, num contínuo esforço de discernir a vontade de Deus e em ser solícita em cumpri-la.

Oração
Pai, dá-me a graça de ser fiel a ti, como Maria, a perfeita discípula que soube discernir a tua santa vontade, e se mostrar solícita em realizá-la.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Ó Deus, celebrando a memória da virgem Maria, nós vos trazemos nossas oferendas e suplicamos que o Cristo venha em nosso socorro, pois se ofereceu por nós na cruz como sacrifício sem mancha. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Feliz és tu, que acreditaste, porque se cumprirá o que te foi dito da parte do Senhor (Lc 1,45).
Depois da comunhão
Alimentados, ó Deus, pelo sacramento celeste, ao celebrarmos a realeza de Maria, concedei que participemos eternamente do banquete do vosso reino. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (NOSSA SENHORA RAINHA)
"O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus". Disse, então, Maria: "Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!" Lc. 1,37-38.

Ainda Lucas, nos Atos dos apóstolos, coloca Maria no meio dos apóstolos, recolhida com eles em oração. Ela constitui o vínculo que mantém unidos ao Ressuscitado aqueles homens ainda não robustecidos pelos dons do Espírito Santo. Pois a sua extraordinária humildade e fé total na palavra do anjo, que fez descer sobre a Terra um Deus ainda mais humilde do que ela. E, através de suas virginais virtudes e pureza de coração, Maria ficou ainda mais próxima de seu Filho.

Maria é Rainha, porque é a Mãe de Jesus Cristo, o Rei. Ela é Rainha porque supera todas as criaturas em santidade. "Ela encerra em si toda a bondade das criaturas", diz Dante na Divina Comédia.

Tudo que se refere ao Messias traz a marca da divindade. Assim, todos os cristãos vêem em Maria a superabundante generosidade do amor divino, que a acumulou de todos os bens. A Igreja convida o povo a invocá-la não só com o nome de Mãe, mas também com aquele de Rainha, porque ela foi coroada com o duplo diadema, de virgindade e de maternidade divina.

A Virgem Maria Rainha resplandece em todos os tempos, no horizonte da Igreja e do mundo, como sinal de consolação e de esperança segura para todos os cristãos, já cobertos pela dignidade real do Senhor através do Batismo.

O Papa Pio XII instituiu em 1955 a festa da Virgem Maria Rainha, como conseqüência daquela de Cristo Rei. Inicialmente era celebrada no dia 31 de maio, mês de Maria, encerrando as comemorações com o coroamento desta singular devoção. O dia 22 de agosto era reservado à homenagem ao Coração Imaculado de Maria. Mas, a Igreja desejando aproximar a festa da realeza de Maria à da sua gloriosa ascenção ao céu, invereteu estas datas a partir da última reforma do seu calendário litúrgico em 1969.



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Liturgia Diária


DIA 21 DE AGOSTO - TERÇA-FEIRA

SÃO PIO X
PAPA E CONFESSOR 
(BRANCO, PREFÁCIO COMUM OU DOS PASTORES – OFÍCIO DA MEMÓRIA)

Antífona da entrada: O Senhor o escolheu para a plenitude do sacerdócio e, abrindo seus tesouros, o cumulou de bens.
Oração do dia
Ó Deus, que, para defender a fé católica e restaurar todas as coisas em Cristo, cumulastes o papa são Pio 10º de sabedoria divina e coragem apostólica, fazei-nos alcançar o prêmio eterno, dóceis às suas instruções e seus exemplos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Ezequiel 28,1-10)
Leitura da profecia de Ezequiel.
28 1 A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:
2 “Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: Eis o que diz o Senhor Javé: Teu coração elevou-se; tu disseste: “sou um deus assentado sobre um trono divino no coração do mar’. Quando não passas de um homem e não és um deus, tu te julgas em teu coração igual a Deus.
3 Sem dúvida, eis-te mais sábio que Daniel, nenhum mistério te é obscuro.
4 É por tua sutil inteligência que adquiriste bens, e cumulaste ouro e prata em teus tesouros.
5 Por tua grande habilidade comercial tens aumentado as tuas riquezas, e teu coração se ensoberbeceu.
6 Por causa disso, eis o que diz o Senhor Javé: já que em teu coração te julgas igual a Deus,
7 farei vir contra ti os estrangeiros, os mais brutais de todos os povos, que tirarão a espada contra os esplendores de tua sabedoria, e empanarão o teu brilho.
8 Far-te-ão descer à fossa, morrerás como um decapitado no coração do mar.
9 Dirás ainda diante do algoz:’ sou um deus’, quando tu não és senão um homem (e não um deus) nas mãos do teu assassino?
10 Morrerás da morte de um incircunciso, sob os golpes do estrangeiro, sou eu que o digo - oráculo do Senhor Javé”.
Palavra do Senhor.

Reflexão Pessoal -  Ezequiel 28, 1-10 – “Deus dá, mas também tira ”

O homem tem talento e habilidade para adquirir fortuna, para progredir e acumular tesouros aqui na terra, porém, nunca deve esquecer de que tudo quanto possui e realiza tem como fundamento a sua condição de criatura de Deus.  Por isso, nesta leitura o profeta Ezequiel, em nome do Senhor, repreende ao homem de coração arrogante que se arvora de ser como um “deus”, por força das suas façanhas. O homem que pensa assim tem um coração cheio de soberba, e  uma alma fechada que não teme a Deus e pensa que é dono da sua própria existência. A esses, o Senhor diz: “Morrerás da morte dos incircuncisos, pela mão de estrangeiros”, significando o efeito desastroso da sua rebeldia, que às vezes, sobrevém até pelas mãos de pessoas desconhecidas. Colocando-nos no contexto da profecia de Ezequiel, observamos que são muitas as pessoas que assim procedem e se sobressaem no mundo em que vivemos.    Encontramos pessoas que, sentindo-se “senhores” de tudo,  nem param para pensar que um dia haverão de prestar contas com Deus, dos talentos e dons que receberam para colaborar com o reino dos céus aqui na terra,  e agem como se fossem, eles mesmos, o “criador de todas as coisas”. Precisamos nos manter vigilantes para não nos deixar ofuscar pelo brilho dos nossos empreendimentos e daquilo que conquistamos e auferimos durante o tempo em que estivermos no “topo” e exerçamos algum comando. Toda autoridade nos é dada por Deus!  Nós somos simples criaturas Suas, dotadas de inteligência e a nossa capacidade está sujeita exclusivamente ao Seu arbítrio. Deus nos dá, mas também tira, quando não estivermos correspondendo aos Seus desígnios. Portanto, em qualquer circunstância da nossa vida, é impreterível que nos ponhamos sob a Sua guarda e a Seu serviço, deixando que Ele mesmo nos ponha no lugar que nos destinou. – Como você se sente quando realiza uma obra que tem grande valor aqui na terra? – De quem são os bens que você costuma amealhar? – Você se considera uma pessoa que tem muitos talentos? – De quem você os recebeu? – Como você trata as pessoas que não mostram nenhuma expressão?
Salmo responsorial Dt 32
Sou eu que tiro a vida, sou eu quem faz viver! 
Pensei: “Vou espalhá-los pela terra,
farei cessar sua memória inteiramente”.
Mas receava a reação dos inimigos,
a má interpretação dos adversários.

Ele diriam: "Nossa mão prevaleceu,
não foi o Senhor Deus que isto fez".
Porque meu povo é gente sem juízo,
é gente que não tem discernimento.

Como pode um homem só perseguir mil,
como dois podem fazer fugir dez mil?
Não é porque sua rocha os vendeu,
não é porque o Senhor os entregou?

Já vem o dia em que serão arruinados
e o seu destino se apressa em chegar.
Porque o Senhor fará justiça ao seu povo
e salvará todos aqueles que o servem.
Salmo – Deuteronômio 32 – “Sou eu que tiro a vida; sou eu quem faz viver” 
O homem prudente reconhece que só o Senhor tem poder para dar e tirar a sua vida e nunca se enaltece e se autoproclama vencedor. Ele luta com toda a sua força humana, mas tem consciência de que é Deus quem entrega a ele os inimigos para que sejam vencidos. O Senhor faz justiça ao povo que o serve e que confia na sua proteção e no seu auxílio. Tenhamos sempre esta verdade diante dos nossos olhos: O Senhor é o dono de tudo, nós somos apenas seus servidores.
Evangelho (Mateus 19,23-30)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Jesus Cristo, Senhor nosso, embora sendo rico, para nós se tornou pobre, a fim de enriquecer-nos mediante sua pobreza (2Cor 8,9).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 19 23 Jesus disse então aos seus discípulos: “Em verdade vos declaro: é difícil para um rico entrar no Reino dos céus!
24 Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”.
25 A estas palavras seus discípulos, pasmados, perguntaram: “Quem poderá então salvar-se?”
26 Jesus olhou para eles e disse: “Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível”.
27 Pedro então, tomando a palavra, disse-lhe: “Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós?”
28 Respondeu Jesus: "Em verdade vos declaro: no dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória, vós, que me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.
29 E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna.
30 Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros”.
Palavra da Salvação.
Evangelho – Mateus 19, 23-30 – “para Deus tudo é possível”

Tudo quanto Deus coloca em nossas mãos há de ter um sentido para a nossa realização aqui na terra e para a conquista da nossa vida eterna, pois Ele é o doador dos nossos bens. O rico a quem Jesus se refere no Evangelho é o homem que coloca a sua confiança e o ideal da sua vida nos seus bens, materiais ou intelectuais e até espirituais, mas não faz caso para ouvir a Deus que o dotou de tudo quanto possui. No entanto, rico não é somente quem possui muito dinheiro, muitos bens, mas também aquele (a) que é convencido de si mesmo, autossuficiente, abarrotado de ideias, cheio de muita “espiritualidade” e põe nesse “tesouro” todo a sua atenção. As coisas que possuímos, os bens que adquirimos não devem se tornar obstáculos para que sigamos a Jesus e vivamos os ensinamentos evangélicos. Muitos de nós, mesmo não tendo dinheiro, temos um coração de rico, isto é, apegado ao pouco que possuímos, às nossas opiniões, à maneira de pensar, nossas convicções etc. No entanto, mesmo assim, o próprio Jesus nos afirma que “para Deus tudo é possível”! Com efeito, confiando na Sua graça, mesmo que ainda sejamos muito apegados, também poderemos nos despregar da nossa “riqueza”, dando a ela o seu devido lugar. Assim, quando nos colocamos nas mãos do Senhor e a Ele oferecemos o tudo quanto possuímos, a nossa vida adquire um significado de justiça e de felicidade. Aí então, para seguir Jesus precisamos apenas de um coração rendido e confiante, na certeza de que Ele tudo providenciará para a nossa caminhada. A nossa recompensa é certa, poderá tardar, mas não falhará. Mesmo, que hoje, nos sintamos em último lugar, podemos ter a certeza de que o Senhor virá e nos abrirá as portas do céu. O mundo será  renovado pelo Amor e, enquanto aqui estamos,  Jesus  chama a cada um de nós para ser protagonista dessa renovação. Entretanto, a vida eterna precisa ser o nosso objetivo final, porque se estivermos lutando somente em busca das coisas temporais, seremos pessoas frustradas, vazias e sempre carentes. – Você é uma pessoa muito autossuficiente? – Você possui muitos bens? – As coisas que você possui lhe impedem de seguir a Jesus? – Você tem a vida eterna como meta de chegada? – Você desejaria viver o restante da sua vida do jeito que vive hoje? 
Comentário ao Evangelho
A SORTE DOS RICOSPode soar chocante ouvir de Jesus que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. Ele que foi sempre tão misericordioso, teria preconceito contra os ricos? Por que, então, fecha-lhes as portas do Reino?
Rico, no pensar de Jesus, é quem transforma os bens deste mundo em autênticos ídolos e fecha seu coração para Deus e para os irmãos; quem ama suas propriedades sobre todas as coisas, e, para protegê-las e fazê-las multiplicar, não hesita em lançar mão de qualquer artifício, mesmo injusto, desonesto, ilegal. A penúria do irmão necessitado não chega a sensibilizá-lo. Só pensa em si mesmo, em suas necessidades e em seus prazeres. Por conseguinte, não existe espaço para a graça atuar em seu coração. Neste caso, tornar-se impossível Deus chegar a ser, de algum modo, senhor de sua vida. Nele, o Reino de Deus não pode acontecer. Seu coração está bloqueado.
Não é Deus quem fecha as portas do Céu para o rico. É este quem se recusa a entrar no Reino e assimilar sua dinâmica. Os apelos de Deus tornam-se inúteis e ineficazes. Embora Jesus deseje que o rico abra mão de seu projeto de vida egoísta e acolha o Reino, ele persiste em sua idolatria. O amor de Jesus não chega a tocá-lo.
É por esta razão que é mais fácil um camelo atravessar o buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus.

OraçãoSenhor Jesus, livra-me da mentalidade dos ricos que recusam o apelo do Reino, por causa da idolatria que lhes corrompe o coração.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Ó Deus, acolhei com bondade as nossas oferendas e dai-nos seguir os ensinamentos de são Pio 10º, para celebrar dignamente estes divinos mistérios e recebê-los com fé. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: O bom pastor dá a vida por suas ovelhas (Jo 10,11).
Depois da comunhão
Celebrando a memória do papa são Pio 10º, nós vos pedimos, ó Deus, que a participação na vossa mesa nos torne firmes na fé e unidos na caridade. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SÃO PIO X)
Seu nome de batismo era José Melquior Sarto, oriundo de família humilde e numerosa, mas de vida no seguimento de Cristo. Nasceu numa pequena aldeia de Riese, na diocese de Treviso, no norte da Itália, no dia 2 de junho de 1835. Desde cedo, José demonstrava ser muito inteligente e, por causa disso, seus pais fizeram grande esforço para que ele estudasse. Todos os dias, durante quatro anos, o menino caminhava com os pés descalços por quilômetros a fio, tendo no bolso apenas um pedaço de pão para o almoço. E desde criança manifestou sua vontade de ser padre.

Quando seu pai faleceu, sua mãe, Margarida, uma camponesa corajosa e pia, não permitiu que ele abandonasse o caminho escolhido para auxiliar no sustento da casa. Ficou no seminário e, aos vinte e três anos, recebeu a ordenação sacerdotal com mérito nos estudos. Teve uma rápida ascensão dentro da Igreja. Primeiro, foi vice-vigário em uma pequena aldeia, depois vigário de uma importante paróquia, cônego da catedral de Treviso, bispo da diocese de Mântua, cardeal de Veneza e, após a morte do grande papa Leão XIII, foi eleito seu sucessor, com o nome de Pio X, em 1903.

No Vaticano, José Sarto continuou sua vida no rigor da simplicidade, modéstia e pobreza. Surpreendeu o mundo católico quando adotou como lema de seu pontificado "restaurar as coisas em Cristo". Tal meta traduziu-se em vigilante atenção à vida interna da Igreja. Realizou algumas renovações dentro da Igreja, criando bibliotecas eclesiásticas e efetuando reformas nos seminários. Pelo grande amor que dispensava à música sagrada, renovou-a. Reformou, também, o breviário. Sua intensa devoção à eucaristia permitiu que os fiéis pudessem receber a comunhão diária, autorizando, também, que a primeira comunhão fosse ministrada às crianças a partir dos sete anos de idade. Instituiu o ensino do catecismo em todas as paróquias e para todas as idades, como caminho para recuperar a fé, e impôs-se fortemente contra o modernismo. Outra importante característica de sua personalidade era a bondade suave e radiante que todos notavam e sentiam na sua presença.

Pio X não foi apenas um teólogo. Foi um pastor dedicado e, sobretudo, extremamente devoto, que sentia satisfação em definir-se como "um simples pároco do campo". Ficou muito amargurado quando previu a Primeira Guerra Mundial e sentiu a impotência de nada poder fazer para que ela não acontecesse. Possuindo o dom da cura, ainda em vida intercedeu em vários milagres. Consta dos relatos que as pessoas doentes que tinham contato com ele se curavam. Discorrendo sobre tal fato, ele mesmo explicava como sendo "o poder das chaves de são Pedro". Quando alguém o chamava de "padre santo", ele corrigia sorrindo: "Não se diz santo, mas Sarto", numa alusão ao seu sobrenome de família.

No dia 20 de agosto de 1914, aos setenta e nove anos, Pio X morreu. O povo, de imediato, passou a venerá-lo como um santo. Mas só em 1954 ele foi oficialmente canonizado.




Por que batizar crianças e bebês?

Por que batizar crianças e bebês?

As Escrituras dizem que o batismo “lava os nossos pecados” (Atos 2:38, 1 Pedro 3:21, Heb. 10:22-23 e outros), assim as crianças e bebês católicos são batizados, para que possam ser lavados da mancha do pecado original. Depois do pecado de Adão e Eva no jardim do Éden, todas as pessoas nascem com o pecado original. Através do dom da graça no Batismo, Deus lava essa mancha do pecado original e nos torna parte de Sua família e oferece-nos a vida eterna.
 Eis que eu nasci na culpa, e minha mãe já me concebeu pecador. (Salmo 51,5)

Batismo Cristão – Uma doutrina ensinada aos primeiros cristão pelos santos apóstolos
Os católicos acreditam que o nosso amoroso Pai Eterno  não pretende negar o Seu amor e graça a quem quer que seja, inclusive às crianças.  O batismo, ao contrário do que ensinam algumas denominações protestantes, simplesmente requer receptividade, nem que seja por parte dos pais. Por isso, Jesus disse sobre as crianças:
“Deixai as crianças virem a mim, e não as impeçais, porque o Reino dos céus pertence a tais como estes.” (Mt 19:14, Marcos 10:14 e Mateus. 18:2-5)
O texto grego de Atos 2:38, diz: “Metanoesate kai bapistheto hymon hekastos.” A tradução disto é:
“Se vos arrependerdes, então cada um que faz parte de vós deve ser batizado.”
Ao afirmar “cada um que faz parte de vós”, esta passagem está realmente nos dizendo que as crianças ou filhos, que fazem parte de seus pais, devem ser batizadas, assim como seus pais.
Este ensinamento é ecoado pelo apóstolo Pedro em Atos 2:39.
Pedro respondeu: “Arrependei-vos cada um de vós e sede batizado, em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados. E  recebereis o dom do Espírito Santo. A promessa é para vós e vossos FILHOS e para todos os que estão longe, para todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar.” Do mesmo modo São Paulo faz referência ao batismo como “a nova circuncisão” dos crentes em Cristo:
Nele também vocês foram circuncidados, no adiamento da natureza pecaminosa, não com uma circuncisão feita por mãos de homens, mas com a circuncisão feita por Cristo, tendo sido sepultados com ele no batismo e ressuscitados pela fé no seu poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. (Colossenses 2:11-12)
Quando Pedro diz em Atos 2:38-39, que a promessa do batismo é “para você e seus filhos, e aqueles muito longe.” A palavra grega para “filhos” é teknon. Esta é a mesma palavra usada em Atos 21:21 para descrever crianças de oito dias de idade. Sendo assim, Pedro afirma que o batismo é tanto para crianças quanto para adultos. Além disso, em Atos 16:15,  lemos que Lidia e “sua casa ou lar” foram batizados. A palavra para ” casa ou lar” éoikos, e sua definição incluía  lactentes e crianças. Veja também 1 Coríntios 1:16, Atos 16:33, 10:47-48 – outros exemplos onde “oikos” é usado.
Lembre-se que a Antiga Aliança incluída crianças, que por sua vez se tornariam membros da família de Deus aos oito dias de idade, quando eram circuncidados. Por isso, como afirmado acima, Paulo chama o batismo de “a nova circuncisão” em Colossenses 2:11-12. Assim, o apóstolo Paulo ensinava que o batismo na Nova Aliança deve incluir as crianças, assim como Deus as incluiu na Antiga Aliança. Se Deus tivesse excluído as crianças de sua Nova Aliança, os judeus convertidos à Cristo teriam considerado a Nova Aliança inferior ou falha, ao compara-la com a Antiga Aliança.
Quando colocamos todas essas peças juntos, fica claro que o batismo infantil não é uma “tradição” não-bíblica adotada pelos católicos, mas uma doutrina aceita pelos apóstolos de Jesus Cristo. A evidência bíblica para a entendimento católico é perfeitamente confirmada nos escritos dos primeiros cristãos, por exemplo, neste texto de Orígenes, apenas alguns anos depois de Cristo:
“A Igreja recebeu dos Apóstolos a tradição do batismo dado mesmo para crianças. Os apóstolos, aos quais foram confiados os ensinamentos dos Evangelho de Cristo, sabiam que existe em todos nós as manchas do pecado inato, que é lavada pela água e pelo Espírito “(Orígenes, 248 dC – Comentários sobre Romanos 5:9).

Por Hellen Cristine Walker  - Pertencente ao Apostolado Spiritus Paraclitus .



quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Liturgia diária 16 DE AGOSTO


DIA 16 DE AGOSTO - QUINTA-FEIRA

XIX SEMANA DO TEMPO COMUM *
(VERDE – OFÍCIO DO DIA)

Antífona da entrada: Considerai, Senhor, vossa aliança e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa e não desprezeis o clamor de quem vos busca (Sl 73,20.19.22s).
Oração do dia
Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Ezequiel 12,1-12)
Leitura da profecia de Ezequiel.
12 1 A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:
2 “Filho do homem, habitas em meio de uma casta de recalcitrantes, de gente que tem olhos para ver e não vê nada, ouvidos para escutar, a nada ouve; é uma raça de recalcitrantes.
3 Pois bem, filho do homem, prepara-te uma bagagem de emigrante, e parte, em pleno dia, sob os seus olhos. Parte sob os olhos deles, do lugar onde habitas para outro local. Talvez reconheçam que são eles um bando de recalcitrantes.
4 Prepararás os teus petrechos em pleno dia, sob os seus olhares, como um fardo de emigrante. E depois, à noite, sob os seus olhares, seguirás como um homem que parte para o exílio.
5 Ante as vistas deles, farás um buraco no muro, pelo qual farás passar o teu fardo.
6 À vista deles, o carregarás aos ombros e sairás, quando escurecer, a fronte velada, de modo que não vejas a pátria! Faço assim de ti um símbolo para a casa de Israel”.
7 Fiz como me ordenara. Em pleno dia deixei os meus afazeres e preparei uma espécie de bagagem de emigrante; em seguida, à noite, furei a muralha, com minha própria mão; após isso, quando se fez noite, pus minha bagagem nos ombros, e saí à vista deles.
8 Logo ao amanhecer, a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:
9 “Filho do homem, a casa de Israel, esse bando de recalcitrantes, não te perguntou o que fazias lá?
10 Dize-lhes: eis o que diz o Senhor Javé: isto é um oráculo relativo ao príncipe que se acha em Jerusalém e a toda a casa de Israel, que ali se encontra.
11 Dirás: sou para vós um símbolo; assim como tenho feito, assim lhes há de suceder: irão para o exílio, deportados.
12 O príncipe, que está no meio deles, porá a bagagem às costas e sairá ao anoitecer; fará um buraco no muro para poder sair dele: cobrirá a face para não ver a pátria”.
Palavra do Senhor.

Reflexão pessoal -  Ezequiel 12, 1-12 – “Fazer tudo conforme a vontade de Deus”

A rebeldia do homem é uma decorrência do seu descaso aos conselhos de Deus. Nesta leitura vemos que o profeta Ezequiel foi convocado por Deus para ser um sinal diante do povo de Israel, predizendo o exílio a que iria submetê-los, porque, “tendo olhos não viam e tendo ouvidos não ouviam”.  Assim o Senhor nos convoca também a sermos como luzeiros, sinais luminosos, chamando a atenção daqueles que estão indiferentes, fazendo-os perceberem até onde poderá ir a sua obstinação, a sua relutância em escutar a voz de Deus. Mais do que falar deveremos agir, assim o nosso exemplo arrastará multidões. Somos sinais que Deus coloca a serviço dos nossos irmãos quando vivenciamos a Sua Palavra e seguimos os Seus mandamentos dando testemunho de que o bem vence o mal, de que a nossa felicidade é algo que está assegurada nas mãos do Senhor. Assim, também como o profeta nós podemos prognosticar, na nossa família, no trabalho e por onde formos  as consequências que advirão para a vida de quem não escuta as palavras que Deus fala por nosso intermédio. Fazer tudo conforme a vontade de Deus, obedecer aos Seus mandamentos e cumprir com as Suas ordens são para nós, práticas que nos asseguram a Sua assistência e a Sua proteção aqui na terra.   – Você tem sido a voz de Deus para as pessoas com quem você convive? – As suas ações manifestam ao mundo o que Deus tem lhe falado aos ouvidos? – Você vê o irmão, a irmã como um sinal de Deus para você?
Salmo responsorial 77/78
Das obras do Senhor não se esqueçam. 
Mesmo assim, eles tentaram o Altíssimo,
recusando-se a guardar os seus preceitos.
Como seus pais, se transviaram e o traíram
como um arco enganador que volta atrás.

Irritaram-no com seus lugares altos,
provocaram-lhe o ciúme com seus ídolos.
Deus ouviu e enfureceu-se contra eles,
e repeliu com violência a Israel.

Entregou a sua arca ao cativeiro
e às mãos do inimigo a sua glória;
fez perecer seu povo eleito pela espada
e contra a sua herança enfureceu-se.
 
Salmo 77 – “Das obras do Senhor não se esqueçam”
O salmo nos fala da teimosia do homem que se recusa a guardar os preceitos do Senhor e qual a implicação das suas más inclinações. O homem com a sua obstinação e rebeldia provoca a ira de Deus que tudo faz para salva-lo, por isso o castiga quando é preciso para, corrigi-lo e restaurá-lo.
Evangelho (Mateus 18,21-19,1)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos! (Sl 118,135) 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
18 21 Então Pedro se aproximou dele e disse: “Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?”
22 Respondeu Jesus: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
23 Por isso, o Reino dos céus é comparado a um rei que quis ajustar contas com seus servos.
24 Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.
25 Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fosse vendido, ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens para pagar a dívida.
26 Este servo, então, prostrou-se por terra diante dele e suplicava-lhe: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!’
27 Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a dívida.
28 Apenas saiu dali, encontrou um de seus companheiros de serviço que lhe devia cem denários. Agarrou-o na garganta e quase o estrangulou, dizendo: ‘Paga o que me deves!’
29 O outro caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: ‘Dá-me um prazo e eu te pagarei!’
30 Mas, sem nada querer ouvir, este homem o fez lançar na prisão, até que tivesse pago sua dívida.
31 Vendo isto, os outros servos, profundamente tristes, vieram contar a seu senhor o que se tinha passado.
32 Então o senhor o chamou e lhe disse: ‘Servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste.
33 Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti?’
34 E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida.
35 Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração”.
19 1 Após esses discursos, Jesus deixou a Galiléia e veio para a Judéia, além do Jordão.
Palavra da Salvação.

Evangelho -  Mateus 18, 21-19,1 – “a medida do perdão não tem limite”
Jesus conta a parábola do servo cruel e abre os nossos olhos para agir aqui na terra da mesma forma que o Pai do céu faz conosco. Partindo da interrogativa de Pedro de quantas vezes perdoar, Jesus nos ensina a fazer justiça com aqueles que pecam contra nós, conforme a maneira de Deus pensar. Assim sendo, Jesus nos explica que o perdão existe para ser dado infinitamente e não depende do tamanho da falta de quem a cometeu. Na mesma medida em que Deus perdoa as nossas dívidas que são muito maiores do que somas de dinheiro também nós precisamos oferecer o perdão às pequenas ou grandes faltas que os nossos irmãos cometerem contra nós. Não obstante, não podemos nos limitar a perdoar dívidas contraídas materialmente, mas também o que ficou marcado como resultado delas, ou seja, os ressentimentos, as mágoas, etc. O ato de perdoar não demonstra dizer que estamos apoiando o erro do nosso irmão, mas que podemos compreender as suas razões e dispensar o desgosto que poderia ficar registrado no nosso coração.   Dessa forma, não se trata de quantas vezes tenhamos que perdoar porque a medida do perdão é contínua, não tem limite. Tantos quantos são os dias da nossa vida e, enquanto caminharmos aqui, nós necessitaremos do perdão de Deus para as nossas inúmeras culpas, entretanto, só nos sentiremos inteiramente perdoados, se, na mesma medida aplicarmos essa regra para com aqueles (as) que nos têm ofendido.   Jesus não nos deixa dúvidas quanto ao perdão que temos de dar ao irmão: DE CORAÇÃO! Quem perdoar, naturalmente será também perdoado. A compaixão é um atributo de Deus e nós como fomos criados à Sua imagem e semelhança temos também em nós o dom de perdoar.  – Você tem exercitado o dom de perdoar? – Você pelo menos deseja perdoar? – A quem você está precisando perdoar? – Você se sente perdoado por Deus na mesma medida com que você tem perdoado os seus irmãos?
Comentário ao Evangelho
PERDÃO ILIMITADO
A capacidade de perdoar, sem limites, deve caracterizar as relações na comunidade cristã. Esta exigência diz respeito, de forma especial, à liderança da comunidade, quando esta deve lidar com aqueles que apenas iniciam sua caminhada de fé. As contínuas recaídas destes iniciantes não podem ser motivo para desespero. Pelo contrário, deve haver sempre a predisposição para o perdão.
Esta predisposição brota sempre no coração de quem experimentou o perdão ilimitado de Deus. Quem é perdoado, ilimitadamente, pelo Pai deve perdoar, ilimitadamente, os irmãos. Seria sinal de mesquinhez agir de maneira diferente. O próprio Deus não suporta esta atitude contraditória. Quem não está sempre disposto a perdoar, ilude-se, ao contar com o perdão divino.
A atitude do servo impiedoso da parábola chama a atenção para o comportamento de certos líderes das comunidades primitivas.
Tendo sido perdoado de uma dívida fabulosa, este servo omitiu-se de perdoar uma dívida ínfima de um companheiro seu. Tamanha crueldade levou o senhor daquele servo a rever o seu perdão e a exigir dele o pagamento de quanto devia, até o último centavo.
Essa parábola foi um alerta para os líderes da comunidade: que não se enganassem quanto ao erro que cometiam, recusando-se a perdoar as fraquezas dos pequeninos!

Oração
Senhor Jesus, que eu me inspire na atitude do Pai, o qual oferece a todos perdão ilimitado.

(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Ó Deus, acolhei com misericórdia os dons que concedestes à vossa Igreja e que ela agora vos oferece. Transformai-os por vosso poder em sacramento de salvação. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo, diz o Senhor (Jo 6,52).
Depois da comunhão
Ó Deus, o vosso sacramento que acabamos de receber nos traga a salvação e nos confirme na vossa verdade. Por Cristo, nosso Senhor.



MEMÓRIA FACULTATIVA

SANTOS ESTEVÃO DA HUNGRIA
(BRANCO – OFÍCIO DA MEMÓRIA)

Oração do dia: Deus eterno e todo-poderoso, concedei à vossa Igreja a gloriosa proteção de santo Estêvão, rei da Hungria, que propagou o vosso evangelho quando reinava na terra. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Sobre as oferendas: Recebei, ó Pai, os dons do vosso povo, para que, recordando a imensa misericórdia do vosso Filho, sejamos confirmados no amor a Deus e ao próximo, a exemplo dos vossos santos. Por Cristo, nosso Senhor.
Depois da comunhão: Renovados por estes sagrados mistérios, concedei-nos, ó Deus, seguir o exemplo de santo Estêvão, que vos serviu com filial constância e se dedicou ao vosso povo com imensa caridade. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SANTO ESTÊVÃO DA HUNGRIA):
No final do primeiro milênio, a Europa foi invadida pelos bárbaros nômades vindos da Ásia, que acabaram dominados pelos reis da Alemanha e da França. As tribos magiares, como eram chamadas, instalaram-se na região da Panônia, atual Hungria, e lá conheceram o cristianismo. A partir desse contato, aos poucos foram se convertendo e abraçaram a religião católica. O duque Gesa, casando com uma princesa cristã, permitiu que os filhos fossem educados no seguimento de Cristo. O seu primogênito, Vaik, que nascera em 969, ao completar dez de idade, foi batizado e recebeu o nome Estêvão. Na cerimônia, o futuro herdeiro do trono teve a felicidade de ver seu pai, convertido, recebendo o mesmo sacramento. Mas o velho rei morreu sem conseguir o que mais desejava, unir seu povo numa única nação cristã. Esse mérito ficou para seu filho Estêvão I, que passou para a história da humanidade como um excelente estadista, pois unificou as trinta e nove tribos, até então hostis entre si, fundando o povo húngaro. Ele também consolidou o cristianismo como única religião deste povo e ingressou para o elenco dos "reis apostólicos". Casou-se com a piedosa e culta princesa Gisela, irmã do imperador da Baviera, Henrique II, agora todos venerados pela Igreja. Tendo como orientador espiritual e conselheiro o bispo de Praga, Adalberto, confiou aos monges beneditinos de Cluny a missão de ensinar ao povo a doutrina cristã. Depois, conseguiu do papa Silvestre II a fundação de uma hierarquia autônoma para a Igreja húngara. Para tanto, enviou a Roma o monge Astric, que o papa consagrou bispo com a função de consagrar outros bispos húngaros. Com o auxílio da rainha Gisela, Estêvão I fundou muitos mosteiros e espalhou inúmeras igrejas pelas dioceses que foram surgindo. Caridoso e generoso, fundou hospitais, asilos e creches para a população pobre, atendendo, especialmente, os abandonados e marginalizados. Humilde, fazia questão de tratar pessoalmente dos doentes, tendo adquirido o dom da cura. Corajoso e diplomático, soube consolidar as relações com os países vizinhos, mesmo mantendo vínculos com o imperador de Bizâncio, adquirindo também o dom da sabedoria. Assim, transformou a nação próspera e o povo húngaro num dos mais fervorosos seguidores da Igreja Católica. No dia da Assunção de Maria, em 15 de agosto de 1038, o rei Estêvão I morreu. Logo passou a ser venerado pelo povo húngaro, que fez do seu túmulo local de intensa peregrinação de fiéis, que iam agradecer ou pedir sua intercessão para graças e milagres. A fama de sua santidade ganhou força no mundo cristão, sendo incluído no livro dos santos, em 1083, pelo papa Gregório VII. A festa de santo Estêvão da Hungria, após a reforma do calendário da Igreja de Roma, passou as ser celebrada no dia 16 de agosto, um dia após a sua morte.